terça-feira, 31 de maio de 2011

memória e conhecimento


"Os deuses, cruéis em sua sabedoria, exigiam um sacrifício: as almas deveriam
esperar um tanto para que esse desejo se interiorizasse e se espiritualizasse dentro
delas, pois entre um e outro ocorreria o tempo necessário à memória. A água
oferecida pelos deuses era tirada do rio Lethe, rio do esquecimento. Se as almas,
arrastadas pela sede do desejo sem freio, bebessem a água do Lethe, sem
a pausa do sacrifício, ao invés de aprender, cairiam na letargia, que é um estado
de sonolência, de embrutecimento, de inconsciência. Voltariam aos seus
instintos brutos e, saciadas e entorpecidas muito rapidamente, seriam incapazes
de dar o salto que leva ao conhecimento através da memória. Mas aquelas
almas que esperassem e não tragassem sôfregas a água do Lethe alcançariam o
não-esquecimento, o des-ocultamento, a a-letheia, a alethéia. Quem sofreia o
desejo que, saciado, leva ao entorpecimento, consegue chegar à verdade, que
é lembrança pura, memória libertadora."
Platão

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